quinta-feira, 26 de março de 2015

Triângulo das Bermudas

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O Triângulo das Bermudas intriga os navegadores desde os tempos antigos. Cristóvão Colombo, quando atravessava a região em direção à América, relatou o avistamento de uma bola de fogo no céu que hoje supõe-se ter sido um meteorito. Colombo também foi um dos primeiros europeus a descrever sua passagem pelo temível Mar dos Sargaços.

O Mar dos Sargaços é uma região do Oceano Atlântico coberta por um manto de sargaços (uma espécie de alga) e foi durante muito tempo a verdadeira razão de tantos desaparecimentos no Triângulo das Bermudas. Suas longas calmarias com freqüência aprisionavam os navios à vela, levando os homens a abandonar seus navios ou morrer neles. Essa paisagem desolada de navios apodrecidos vagando à deriva com suas tripulações de cadáveres capturava a imaginação dos supersticiosos marinheiros, que denominavam a região de o "Cemitério do Atlântico".

Além de "Cemitério do Atlântico", o Triângulo das Bermudas era conhecido por "Mar do Demônio", "Mar dos Navios Perdidos", "Mar das Feiticeiras" e outras variações desses temas. O nome "Triângulo das Bermudas" só foi dado bem mais tarde pelo escritor de romances baratos Vincent Gaddis. O autor, que escrevia para o popular folhetim "Argosy" (considerada a mais antiga revista pulp americana), publicou em fevereiro de 1964 uma história chamada o "O Mortal Triângulo das Bermudas", que serviu como uma espécie de batismo para o mito. Mas foi outro escritor, Charles Berlitz, quem tornou o Triângulo das Bermudas tão popular.

 Charles Berlitz (1914 - 2003) era neto do fundador das Escolas Berlitz de ensino de língua inglesa, mas tornou-se mais conhecido por seus livros abordando temas sobrenaturais como o incidente Roswell e o continente perdido da Atlântida. Seu livro "O Triângulo das Bermudas", publicado originalmente em 1974 (no Brasil foi editado pela Nova Fronteira), vendeu mais de 20 milhões de cópias e foi traduzido para mais de 30 idiomas. Nele Berlitz descrevia os misteriosos casos atribuídos ao Triângulo das Bermudas, entrelaçando-os a outros mistérios como a Atlântida, avançadas civilizações ancestrais, deuses astronautas, abduções alienígenas, criptozoologia, a Experiência Filadélfia (sobre o que trataria em outro livro de sucesso) etc. em um grande pout-pourri sobrenatural. Bem escrito e com estilo cativante, o livro de Berlitz embalou o mistério do Triângulo para o consumo das massas.

Vôo 19 era o nome de um grupo de cinco caça-bombardeiros TBM Avenger da Marinha americana. O Vôo decolou de Fort Lauderdale no dia 15 de dezembro de 1945 e, após um bem sucedido exercício de treinamento, desapareceu sem deixar vestígios. Para tornar as coisas ainda mais misteriosas, um dos hidroaviões de resgate enviado algum tempo depois para procurar pelos caças também desapareceu.

O desparecimento do Vôo 19 desencadeou uma das maiores operações de resgate da história. Segundo Berlitz, mais de 240 aviões, navios da Marinha, barcos da guarda costeira, iates particulares e até submarinos esquadrinharam a região das Bermudas. Nada jamais foi encontrado. "Eles sumiram tão completamente como se tivessem voado para Marte...", haveria afirmado um dos membros da comissão que investigou o acidente.

Berlitz deu grande destaque ao caso em seu livro, enriquecendo a narrativa com histórias paralelas de pressentimentos, esquisitas coincidências e citações sensacionalistas, provavelmente retiradas dos tablóides da época. Havia, por exemplo, a mãe desconsolada de um dos pilotos desaparecidos que teria afirmado sobre seu filho: "sinto que ele ainda está vivo em algum lugar do espaço", e um certo Dr. Manson que tinha declarado ao jornal Miami News: "Eles ainda se encontram aqui, mas numa dimensão diferente, graças a um fenômeno magnético que pode ter sido criado por um OVNI". Com seu lugar garantido no folclore ufológico, o Vôo 19 recebeu destaque no filme "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" de Steven Spielberg. No filme os aviões são finalmente encontrados, mas no meio do deserto, e os pilotos libertados pelos alienígenas que os abduziram.

Outros Casos

Pouco mais de dois anos depois, em 29 de janeiro de 1948, um antigo bombardeiro inglês, o Star Tiger, também desapareceu no interior do Triângulo das Bermudas. O Star Tiger rumava dos Açores para as Bermudas com 25 passageiros. A última notícia que se teve dele foi uma comunicação do piloto com a torre de controle informando que chegaria ao destino na hora prevista; nada indicava que alguma coisa pudesse estar errada. Depois disso o avião nunca mais foi visto. A comissão da Marinha que investigou o desaparecimento do Star Tiger foi incomumente eloqüente em seu relatório final, deixando abertas as portas para especulações sobrenaturais:


"Pode ser realmente dito que nenhum problema mais estranho jamais foi apresentado para investigação. Diante da completa ausência de qualquer evidência segura quanto à natureza ou quanto às causas do desastre com o Star Tiger, esta corte não foi capaz de mais nada a não ser sugerir possibilidades (...) O que aconteceu neste caso jamais será desvendado."

Curiosamente, quase exatamente um ano depois, outro avião igual, o Star Ariel, também desapareceu no Triângulo das Bermudas sem deixar vestígios. Assim como o Star Tiger, nada indicava em seu último contato com o solo que algo pudesse estar errado. Outro caso semelhante foi o do avião comercial DC-3 que fazia o trajeto entre San Juan e Miami. Depois de um contato normal com a torre de controle em Miami, a apenas 80 quilômetros de distância, o avião e seus passageiros nunca mais foram vistos.

Além de aviões, há inúmeros casos de navios que ou desapareceram completamente ou que, mais misteriosamente ainda, foram encontrados sem nenhuma viva alma à bordo. Um dos navios misteriosamente desaparecidos no Triângulo das Bermudas foi o USS Cyclops (figura) que nunca mais foi visto após zarpar do porto de Barbados retornando de uma viagem ao Rio de Janeiro em 1918, no meio da Primeira Guerra Mundial. Outro desaparecimento famoso foi o do S.S. Marine Sulphur Queen, um navio tanque carregado de enxofre que desapareceu apos seu último contato próximo de Key West em 3 de fevereiro de 1963.

 Berlitz relata o caso de um navio brasileiro desaparecido no Triângulo das Bermudas: o São Paulo, na verdade um navio destinado ao ferro-velho que estava sendo rebocado por dois navios rebocadores na proximidade dos Açores. Temendo ser afundado pela tempestade que se aproximava, um dos rebocadores soltou o cabo que o prendia ao São Paulo durante a noite. Na manhã do dia seguinte os marinheiros descobriram surpresos que o cabo do outro rebocador havia se rompido e que o São Paulo e sua tripulação de 8 pessoas tinham desaparecido sem deixar vestígios.

Em qualquer pesquisa que se faça sobre o Triângulo das Bermudas muito provavelmente se ouvirá falar à respeito do Mary Celeste, navio português encontrado em 1872 à deriva completamente abandonado, com suas velas içadas e seu carregamento de álcool, víveres e objetos pessoais intocados. O estranho caso do Mary Celeste é por si só um prato cheio para explicações sobrenaturais mas na verdade nada tem a ver com o Triângulo das Bermudas; o navio foi encontrado a milhares de quilômetros dali, na costa de Portugal.

 O clima
A causa mais plausível para os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas é bem menos estranha do que você pensa: o imprevisível clima da região. A região das Bermudas é conhecida por suas tempestades repentinas, que vem tão rapidamente quanto vão; às vezes tão rapidamente que não deixam tempo para que um alerta seja emitido. Trombas d'água também são comuns na região e podem afundar de forma fulminante um navio ou um avião apanhados em seu caminho. A natureza também pode explicar porque freqüentemente as equipes de salvamento não encontram vestígios dos aviões e navios vitimados nas Bermudas. Para início de conversa é muito difícil, mesmo durante o dia e com tempo bom, enxergar algo no mar a partir de um helicóptero, mesmo quando se sabe onde procurar, como já demonstrou o ótimo documentário da BBC "In Search Of Bermuda Triangle".

Ainda mais difícil do que procurar por vestígios em um local pré-determinado é procurar por sobreviventes quando não se sabe ao certo onde ocorreu o acidente. A situação piora quando a busca não é feita imediatamente após o acidente, por exemplo, quando o desparecimento é notado no final da tarde, uma vez que a corrente do Golfo, que se move com uma velocidade de até 8 km/h, espalha os destroços rapidamente. Some a este cenário o fato de que alguns dos locais mais profundos da Terra localizam-se no Oceano Atlântico na região das Bermudas e você terá boas razões para que os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas sejam tão completos.

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