domingo, 15 de março de 2015

Estudo da formação territorial do Brasil por meio da literatura: o contexto cultural.



4. Estudo da formação territorial do Brasil por meio da literatura: o contexto cultural



A narrativa proporciona aos leitores uma viagem imaginária para o interior do mundo relatado. É uma espécie de mapeamento da experiência cotidiana vivenciada por alguém, em algum lugar. Enredo, personagens, tempo, lugar, foco são alguns dos elementos profundamente interligados numa narrativa que se complementa no todo da história. Vamos explorar esse universo literário para a ampliação do nosso horizonte geográfico por meio da diversificação de linguagens.

Um exemplo de dimensão cultural das fronteiras políticas é o Rio Grande do Sul. Seu território é resultado da história ocorrida a partir da destruição das missões jesuíticas por tropas portuguesas e o tenso contato com as comunidades indígenas e a América espanhola em seus arredores. O contexto regional, no qual estavam inseridos os gaúchos no século XVIII, justifica a condição de isolamento da fronteira gaúcha, distante milhares de quilômetros das outras cidades e de povoados portugueses, numa zona de fronteira politicamente instável, como observamos nos mapas “Rio Grande do Sul: primeira metade do século XVIII” e “Rio Grande do Sul: campanha gaúcha do século XIX” nas páginas 34 e 35 no caderno do aluno. Por exemplo, os empreendimentos portugueses naquela época eram a construção de fortificações e a fundação de povoados como Rio Grande de São Pedro (Porto Alegre).

Observando esses mapas citados, percebemos que a ocupação portuguesa ocorre do litoral para o interior. A Vila do Rio Grande de São Pedro, que dá origem a Porto Alegre, era o povoado mais antigo, além de algumas fortificações. No final do século XIX, vários povoados já existiam nas proximidades do Rio Uruguai, como São Borja, aproximando os limites territoriais gaúchos da atual forma do Rio Grande do Sul.

            Segundo o Atlas de representações literárias do IBGE, não faltam exemplos de boas narrativas do povo da fronteira no Rio Grande do Sul. A condição de fronteira conquistada e o forte sentimento de pertencimento do povo gaúcho marcaram profundamente a Geografia, a História e a literatura do Estado.

Vamos “mergulhar” no universo cultural da fronteira, lendo um fragmento dos “Contos Gauchescos” de Simões Lopes Neto, na página 37, no primeiro quadro, do caderno do aluno e de um outro do romance, “Um quarto de légua em quadro”, de Luiz Antônio de Assis Brasil, na página 38. Coloque-se no lugar dos personagens ou do narrador da história. Que sentimentos a narrativa desperta? Medo? Curiosidade perante o desconhecido?


Para aprofundar o conhecimento do universo imaginário da fronteira, a sugestão é o contato com a obra de Érico Veríssimo, especialmente “O tempo e o vento”. Trata-se de uma trilogia dividida em “O continente”, “O retrato” e “O arquipélago”, com uma abrangência histórica de duzentos anos. No trecho selecionado abaixo, o autor narra a relação do tempo com o lugar explorando a ligação entre a formação do território e o enredo:

               


“Uma geração vai, e outra geração vem; porém a terra para sempre permanece. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar donde nasceu. O Vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte continuamente vai girando o vento, e volta fazendo circuitos”
VERÍSSIMO, Erico. O tempo e o vento: o Continente. Volume I.
São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p.32. © Herdeiros de Erico Veríssimo.





           


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