quinta-feira, 21 de abril de 2016

O CONFLITO NORTE E SUL - 3º ANOS D, E e F - Sylvio Maya

Olá queridos alunos dos 3º Anos Ensino Médio Maya, a partir desta semana irei postar todo o conteúdo a ser estudado aqui no Blog, para facilitar o acesso às Situações de Aprendizagem.
Peço gentilmente que leiam o conteúdo semanalmente, para a realização da explicação em sala de aula e entrega das atividades.
Desta forma, nenhum aluno será prejudicado, visto que ministro somente uma aula semanal.
Agradeço à todos !!!
Um grande abraço e bons estudos !!!


O conflito Norte e Sul

            A Divisão Internacional do Trabalho, ou da Produção, surgiu no final do século XV com a expansão do capitalismo europeu para os outros continentes. As colônias forneciam matérias-primas para as metrópoles, que as manufaturavam e transformavam em produtos industrializados, repassados às colônias. Modernamente, denomina-se Divisão Internacional do Trabalho, a distinção existente entre as nações do globo quanto à organização político-econômica e social, na qual se considera, também, o nível de desenvolvimento socioeconômico da sociedade.
Quanto à forma de organização da sociedade e da economia, ou seja, quanto ao sistema socioeconômico, podemos identificar o capitalismo e o socialismo. O sistema capitalista caracteriza-se pela divisão da sociedade em classes, determinadas pela relação com os meios de produção (as terras, os bancos, as indústrias, o capital). Aqueles que detêm o capital, ou os meios para produzi-lo, constituem a burguesia. A grande parcela da população, destituída dos meios de produção e que tem de vender sua força de trabalho para sobreviver, numa sociedade capitalizada, é o proletariado. É importante compreender a expressão “vender a força de trabalho”, pois, na organização capitalista de produção, o trabalho é remunerado segundo as leis de mercado, baseadas na relação existente entre a oferta e a procura. O trabalho é, portanto, uma mercadoria. Além das classes sociais e da economia de mercado, no capitalismo encontraremos o predomínio da propriedade privada ou particular dos meios de produção. A produção, por sua vez, tem como objetivo a reprodução do capital, ou seja, o lucro. O sistema socialista difere da organização capitalista sobre vários aspectos. Primeiro, a sociedade socialista não está dividida em classes. Os meios de produção permanecem sob a orientação do Estado. Predomina-se a propriedade estatal dos meios de produção. O Estado, além de gerenciar os meios de produção, orienta a produção em função das necessidades da sociedade. A economia é planificada e o conceito de lucro é suprimido.
Quanto ao nível de desenvolvimento econômico, podemos distinguir países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
As nações desenvolvidas (também chamados de países centrais – já que estão situados no centro do sistema capitalista) gozam de um padrão de vida elevado para suas populações e concentram grande volume de capital. Destacam-se pelo elevado desenvolvimento econômico, onde os problemas sociais - se existem - são bem menos acentuados. A maior parte dessas nações foram metrópoles, que no passado viviam da exploração do mundo colonial. Constituem centros de difusão tecnológica, a ponto de determinarem as relações no mundo capitalista.
As nações subdesenvolvidas têm presente, em seu quadro socioeconômico, mazelas (desgostos) como as endemias, a subnutrição e um desarranjo social, na maioria dos casos, conseqüência do colapso de suas economias.
Desde a Idade Antiga, é possível observar diferenças econômicas entre os povos. As grandes civilizações da Antigüidade - egípcia, grega, romana, entre outras - exerciam o domínio sobre vastas regiões, delas obtendo produtos agrícolas, óleos, corantes etc. Esses vastos domínios, obtidos na maioria das vezes por meio de campanhas militares, eram de fundamental importância para a economia imperial.
Na Idade Moderna (séc. XVI), a expansão marítima e o conseqüente desenvolvimento comercial das nações ibéricas (Portugal e Espanha) levaram à incorporação do continente americano ao modo de produção européia, em função de suas necessidades mercantis imediatas.
Na Idade Contemporânea, os países industrializados (EUA, Inglaterra, França, Japão etc.) lançaram-se sobre as nações mais atrasadas do globo (América Latina, África, Ásia e Oceania), com a finalidade de assegurar novos mercados e fontes abundantes de matérias-primas industriais, e neles organizaram uma economia voltada para o mercado externo, em detrimento das necessidades locais das áreas ocupadas. Essas colônias se especializaram, assim, na produção de gêneros que interessavam basicamente às grandes metrópoles.
 Após a Segunda Guerra Mundial, a maioria das antigas colônias havia conseguido emancipar-se politicamente; muitas, porém, mantiveram as estruturas de produção do período colonial. A maior parte das colônias, antes da Segunda Guerra Mundial, estava na Ásia e África. As relações entre os jovens países africanos e asiáticos de independência recente, e as antigas metrópoles continuaram praticamente as mesmas, ou seja, apesar da emancipação política, esses países continuaram a exportar matérias-primas agrícolas e minerais e a importar produtos industrializados, pacotes tecnológicos e capitais, em forma de empréstimos. Esse processo, reforçado pelos investimentos externos dirigidos a esses setores, provocou, na quase totalidade dos casos, a degeneração econômica dessas nações, hoje caracterizadas por atraso em sua economia e grandes problemas de cunho social, típicos do subdesenvolvimento.
De modo geral as características dos países subdesenvolvidos são:
• Dependência tecnológica e financeira;
• Economia basicamente agrícola;
• Predomínio da população ativa no setor primário;
• Industrialização incipiente;
• Exportação de matérias-primas agrícolas e/ou minerais;
• Abundante mão-de-obra e baixos salários;
• Forte ação de empresas transnacionais (multinacionais) e;
• Agricultura marcada pela ausência de técnicas.
            Várias denominações surgiram ao longo do tempo para designar os países situados na periferia do sistema capitalista: países subdesenvolvidos (décadas de 1940, 1950 e 1960), países em desenvolvimento (década de 1960 até os dias atuais), países de industrialização tardia e países subdesenvolvidos industrializados (décadas de 1970 e 1980), países do Norte e do Sul (década de 1980), e países emergentes (décadas de 1990 e 2000).
Os países do mundo formam um conjunto bem heterogêneo (diferentes) dificultando a regionalização e a adequação das terminologias para classificá-los.
Com a revisão do processo histórico do subdesenvolvimento e da divisão (ou regionalização) do mundo em países do Norte e do Sul, além de outras denominações dadas ao desigual desenvolvimento entre eles, vamos interpretar o mapa “Emissões de dióxido de carbono, 2004” da página 21 do caderno do aluno. Ele apresenta um olhar sobre o conflito Norte e Sul, os dados das emissões de CO2: identificamos que, com relação à linha divisória Norte e Sul (pode ser observada no mapa “Regionalização do mundo em Norte e Sul”, da página 8 do caderno do aluno), grande parte dos países com as mais elevadas emissões de CO2 em toneladas por habitante está concentrada no Norte. Essa caracterização não é absoluta: o norte da África e Oriente Médio, China e Argentina (em cinza claro) estão fora desse eixo e tem emissões elevadas de CO2. Essa questão do controle das emissões de CO2 na atmosfera constitui um dos conflitos entre o Norte (principalmente por parte dos Estados Unidos) e o Sul. Nas negociações do Protocolo de Kyoto (cidade japonesa), um dos principais pontos discutidos, em 2008, foi a inclusão de países em desenvolvimento, como a China e a Índia, nas metas previstas para a redução daqueles gases (o Protocolo de Kyoto é um tratado internacional sobre redução de emissão de gases do efeito estufa). Em contrapartida, enquanto 35 nações consideradas desenvolvidas estão comprometidas com as metas desse Protocolo, os Estados Unidos (o maior emissor de gás carbônico) não o assinou. O impasse, desde a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Rio-92, na qual foi firmada a “Convenção sobre Mudanças Climáticas”, permanece: o compromisso entre os países-membros da ONU de reduzir as emissões de gases que contribuem para o “efeito estufa”.
Outro olhar sobre o conflito Norte e Sul se refere às migrações internacionais, ou seja, ao fluxo intenso de migrantes do Sul para o Norte (mapa “As migrações, final do século XX, na página 23 do caderno do aluno). De acordo com as Nações Unidas, há cerca de 150 milhões de migrantes em todo o mundo. Esse número é duas vezes maior que o de 30 anos atrás. Os principais fluxos migratórios internacionais, da atualidade, são relacionados a fatores de ordem econômica, política, religiosa e étnica. A maior parte dos fluxos migratórios dirige-se para os países desenvolvidos (centrais), pertencentes ao chamado Norte desenvolvido, cuja economia forte e melhores oportunidades de emprego representam atrativos para os imigrantes. Apesar da existência de fluxos migratórios para a Índia e Arábia Saudita, os grandes fluxos dirigem-se para os países do Norte: Estados Unidos (35 milhões) e Europa (56 milhões, destacando-se nesse total França, Alemanha e Reino Unido – Inglaterra), sem considerar as migrações ilegais (estima-se que, a cada ano, os Estados Unidos recebem 300 mil imigrantes ilegais). Tal fluxo tem gerado protestos nos países receptores, embasados na alegação de que o imigrante subtrai postos de trabalho da população local. Entretanto, essa argumentação encobre preconceitos e discriminações, além de estimular a xenofobia, situação que gera hostilidades sistemáticas contra os imigrantes. O sentimento de rejeição contra os imigrantes na Europa não é um fato novo. Ele está em ascensão nos últimos anos: partidos políticos conservadores europeus, de extrema-direita, têm se servido dessa questão nas disputas eleitorais, sensibilizando a população e contribuindo para a exacerbação do racismo que tanto marcou a história de alguns países europeus.
Vamos distinguir os termos migração, emigração e imigração:
- emigrar: deixar um país para ir estabelecer-se em outro;
- imigrar: entrar (num país estranho) para nele viver;
- migração: passagem dum país para outro (um povo ou multidão).
            No conjunto das migrações internacionais existem as voluntárias ou espontâneas e as forçadas.
            Um exemplo de migração forçada é a da região dos Bálcãs. No final do século XX, a região dos Bálcãs (Leste Europeu) foi fragmentada por movimentos nacionalistas e considerada um verdadeiro barril de pólvora étnico, abrigando ondas nacionalistas que embalaram o sonho de uma “Grande Sérvia”, de uma “Grande Albânia” ou de uma Croácia “etnicamente pura”. Em 1995, a Bósnia foi divida numa fragilíssima federação muçulmano-croata da Bósnia-Herzegovina (capital Sarajevo) e na República Servia (capital Pale) dos sérvios-bósnios, onde todo mundo passou a se odiar ainda mais. Todos os lideres dos Bálcãs, fossem sérvios, croatas, muçulmanos ou albaneses, sabiam que apelar para os sentimentos separatistas conduziria fatalmente à política da limpeza étnica tantas vezes praticada entre eles no passado. Tinham consciência que, dada a multiplicidade de etnias que a maioria dos Estados iugoslavos era composta, as declarações de independência desencadeariam as velhas paixões e acirrariam os antigos rancores. Mesmo assim, eles foram em frente e destruíram a República Federada da Iugoslávia, transformando a região inteira num caldeirão alimentado pelo ódio étnico, devido ao deslocamento das populações e pela imigração em massa de milhões de ex-iugoslavos para o exterior (o que terminou por acirrar os movimentos xenófobos na Áustria e na Alemanha recém-unificada). O resultado foi desastroso. Onde até 1990 havia, mal ou bem, um país constituído e em relativa ordem, pronto para poder integrar-se no restante da Europa, se tivesse um pouco mais de paciência, hoje existem seis frágeis repúblicas, a maioria delas empobrecida pelas perdas materiais e pela fuga da população, quando não entregues ao crime organizado, sem contar com um permanente clima de frustração, misturado ao ódio étnico sempre pronto para dar seu sinal de retorno.
            Outro exemplo é do Curdistão, que não existe, nunca viu a sua identidade política reconhecida e, até há bem pouco tempo, mesmo a identidade cultural lhe era negada. Os curdos que inventaram a palavra Curdistão. É um povo tribal que passa o tempo em guerras internas, não se organiza como nação e perde todas as oportunidades de fazer frente aos inimigos comuns, ou de criar uma forte e duradoura identidade política. Assim, os curdos estão distribuídos em outros países, divididos, espalhados. As maiores comunidades vivem hoje no Norte do Iraque, Noroeste do Irã e no Leste da Turquia. Neste último país, o número parece ultrapassar os onze milhões, transformando-se na “pátria curda” por excelência. Só que nenhum destes países tem a mínima intenção de ceder um milímetro, quanto mais um quilômetro, e os curdos continuam a viver como estrangeiros exilados em terras que sempre foram suas. No Iraque, são conhecidas as atrocidades do regime contra os curdos após a invasão do Kuwait. Do lado turco, as coisas não melhoram. A miséria é quase igual, e a fortíssima presença militar, conjugada com as queixas permanentes dos curdos, dão uma triste idéia da sua situação social e política.
Outra localidade com refugiados é a Palestina, localizada ao sul do Líbano e a nordeste da Península do Sinai, entre o Mar Mediterrâneo e o vale do Rio Jordão. Foi conquistada pelos israelitas (mais tarde também conhecidos como judeus) por volta de1200 a.C., depois que aquele povo se retirou do Egito, onde vivera por alguns séculos. Mas as sucessivas dominações estrangeiras deram início a um progressivo processo de diáspora (dispersão) da população judaica, embora sua grande maioria ainda permanecesse na Palestina. No início do século XX, já existiam na região pequenas comunidades israelitas, vivendo em meio à população predominantemente árabe. A partir de então, novos núcleos começaram a ser instalados, geralmente mediante compra de terras aos árabes palestinos. Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turquia lutou ao lado da Alemanha e, derrotada, viu-se privada de todas as suas possessões no mundo árabe. A Palestina passou então a ser administrada pela Grã-Bretanha, mediante mandato concedido pela Liga das Nações. Depois de 1918, a imigração de judeus para a Palestina ganhou impulso, o que começou a gerar inquietação no seio da população árabe. A crescente hostilidade desta última levou os colonos judeus a criar uma organização paramilitar – a Haganah – voltada para a autodefesa e mais tarde também para operações de ataque contra os árabes. A Grã-Bretanha tentou frear o movimento imigratório para não descontentar os Estados muçulmanos do Oriente Médio, com quem mantinha proveitosas relações econômicas; mas viu-se confrontada pela pressão mundial da coletividade israelita e, dentro da própria Palestina, pela ação de organizações terroristas. Após a Segunda Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes judeus tornou-se irresistível. Em 1947, a Assembléia Geral da ONU decidiu dividir a Palestinaem dois Estados independentes: um judeu e outro palestino. Mas tanto os palestinos como os Estados árabes vizinhos recusaram-se a acatar a partilha proposta pela ONU. Em 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, que se viu imediatamente atacado pelo Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano (1ª Guerra Árabe-Israelense). Os árabes foram derrotados e Israel passou a controlar 75% do território palestino. A partir daí, iniciou-se o êxodo dos palestinos para os países vizinhos. Atualmente, esses refugiados somam cerca de 3 milhões. Os 25% restantes da Palestina, correspondentes à Faixa de Gaza e à Cisjordânia, ficaram sob ocupação respectivamente do Egito e da Jordânia.

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