quinta-feira, 21 de abril de 2016

GLOBALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO ECONÔMICA - 3º ANOS ENSINO MÉDIO D, E e F - Sylvio Maya

Olá queridos alunos dos 3º Anos Ensino Médio Maya, a partir desta semana irei postar todo o conteúdo a ser estudado aqui no Blog, para facilitar o acesso às Situações de Aprendizagem.
Peço gentilmente que leiam o conteúdo semanalmente, para a realização da explicação em sala de aula e entrega das atividades.Desta forma, nenhum aluno será prejudicado, visto que ministro somente uma aula semanal.Agradeço à todos !!!Um grande abraço e bons estudos !!!


Globalização e regionalização econômica

            Vamos trabalhar conceitos, mapas e conteúdos fundamentais para que entendam as relações existentes entre a nova regionalização em curso do espaço geográfico mundial (multipolarização) e a reordenação ocorrida na economia-mundo, principalmente a partir do início da década de 1990, em grande parte relacionadas ao fim da bipolaridade geopolítica da velha ordem da Guerra Fria (1947-1989); vamos abordar aspectos políticos, econômicos e culturais desse assunto para propiciar a obtenção de informações acerca das várias formas de regionalização do espaço mundial, estimulando ainda a interpretação, a análise e a relação de informações pertinentes, ampliando as atividades anteriores sobre o tema regionalização do espaço mundial.
            Começaremos organizando as informações que possuem sobre o tema globalização e regionalização. Observem e leiam as legendas dos mapas “A bipolaridade e a ordem westfaliana – 1950-1980”, nas páginas 28 e 29, “Mundo: o surgimento do mundo multipolar – a recomposição das alianças, 1991-2006”, na página 30, “Mundo: as potências do século XXI”, na página 31 e “Principais processos de integração regional,2007”, na página 33, todos no caderno do aluno. O que vocês conhecem a respeito dos aspectos militares e econômicos dos mundos bipolar e multipolar? O que vocês conhecem a respeito da chamada globalização e dos principais blocos econômicos da atualidade?
            Um mapa só pode ser compreendido se analisado no momento histórico a que se refere e/ou foi elaborado. Isso porque a representação da dinâmica dos países do globo muda com o decorrer da história, não somente em função de novas metodologias e novos conceitos, mas também em virtude das transformações da realidade das sociedades e dos arranjos mundiais de poder (quantas vezes tivemos que jogar mapas e atlas fora, porque eles estavam desatualizados?).
            Nós conceituamos regionalização no primeiro tema estudado. A divisão territorial do trabalho diferencia o espaço geográfico, por isso as mudanças constantes. É o processo de regionalização do espaço geográfico mundial em curso, consolidando a ordem mundial multipolarizada.
Os aspectos socioeconômicos do mundo pós-Guerra Fria, no plano internacional, com o fim do sistema de polaridades definidas ou da ordem mundial bipolar (EUA x URSS), favoreceu o aparecimento de um sistema de polaridades indefinidas ou, em outras palavras, de uma ordem mundial multipolar, caracterizada pela existência de vários pólos ou centros mundiais de poder econômico. A partir da década de 1990, o antigo confronto ideológico (capitalismo versus socialismo ou EUA x URSS) foi substituído por uma acirrada disputa econômica entre países e blocos de países que passaram a se organizar ao redor de três principais centros de poder econômico (Estados Unidos, União Européia e Japão), a chamada tríade do capitalismo mundial. Essa nova realidade guarda relações com a constituição de um espaço global, promovida, em grande parte, pelos avanços tecnológicos da chamada Terceira Revolução Científica e Tecnológica.
Fora do plano econômico e considerando a vida social, cultural e política, a nova ordem mundial, surgida com o fim do socialismo real, resultou no enfraquecimento dos horizontes políticos apoiados nos valores coletivos e sociais, dando lugar, principalmente entre os jovens, à exacerbação de valores individualistas, cujo principal objetivo passou a ser o de “subir na vida”, adotando atitudes de consumo muitas vezes exageradas.
Com a derrocada do socialismo real na União Soviética e, principalmente, após a formação da CEI (Comunidade dos Estados Independentes), que demarcou o fim da antiga superpotência da Guerra Fria, a inter-relação dos mais diferentes atores no cenário mundial – Estados, empresas, organismos internacionais etc. – deixou de sofrer as influências da chamada bipolaridade. Ou seja, desde a década de 1990 até os dias atuais, nas mais diversas regiões do mundo, as questões ou acontecimentos relativos à economia, à geopolítica e às negociações diplomáticas deixaram de ser influenciados direta ou indiretamente apenas por duas superpotências ou dois pólos de forças dominantes.
A expressão Nova Ordem Mundial passou a ser empregada na imprensa (jornais, revistas, televisão etc.) e por estudiosos para nomear um novo arranjo ou composição de forças internacionais que passaram a substituir a “velha ordem mundial”, isto é, aquela que esteve baseada na disputa pelo poder mundial entre Estados Unidos (capitalismo) e União Soviética (socialismo). A partir de então, diante de profundas mudanças processadas no equilíbrio internacional de poder, certos aspectos essenciais da realidade mundial foram alterados, no que diz respeito à correlação de forças econômicas, militares e político-diplomáticas.
Na abertura dessa fase ou período conhecido como “Nova Ordem Mundial”, três aspectos são importantes: econômico, geopolítico e diplomático na realidade internacional, que passaram a contar com o emprego de novos termos, que buscam resumir ou representar suas principais características ou tendências. Embora termos como multipolaridade e unilateralismo possam, em um primeiro momento, parecer antagônicos e excludentes, na verdade eles ajudam a compreender a complexidade da atual ordem mundial:
- Multipolaridade e multipolar: esses termos se contrapõem à expressão bipolaridade e procuram passar a idéia de que, na Nova Ordem Mundial, existem vários pólos ou centros mundiais de poder econômico (principalmente Estados Unidos, União Européia, Japão e China), que muitos estudiosos consideram o aspecto mais expressivo da Nova Ordem Mundial, que se prolonga até os dias atuais;
- Monopolar e unipolar: do ponto de vista do poderio militar, são empregados por muitos observadores e estudiosos para denominar o cenário internacional entreaberto com o fim da Guerra Fria, pois consideram que a Nova Ordem Mundial é monopolar (ou, ainda, unipolar), pois destacam que os Estados Unidos são o único país a exercer o domínio militar no panorama do mundo atual, ou seja, sem a presença de um rival ou oponente capaz de contrabalançar ou equilibrar seu poderio nesse sentido. A Rússia, por exemplo, a principal herdeira da extinta União Soviética e hoje pertencente à CEI, ingressou em uma profunda crise econômica a partir do início da década de 1990, fato responsável, entre outros, pelo enfraquecimento do seu poderio militar. Com isso, em praticamente todo o globo, a superpotência da América do Norte é o único país capaz de sustentar ou realizar intervenções militares em conflitos mundiais importantes.
            A globalização proporciona uma intensificação das trocas comerciais entre diferentes regiões do globo, acompanhada de certas características econômicas que criam dificuldades para uma maior participação dos países subdesenvolvidos no comércio internacional, mantendo suas economias, em grande parte, dependentes das decisões tomadas nos principais centros do capitalismo mundial – Estados Unidos, Europa Ocidental (onde se destacam Alemanha e França) e Japão, a chamada tríade do capitalismo mundial.
            A globalização promoveu maior integração do mercado mundial diante dos avanços tecnológicos nos transportes e nas telecomunicações, ela também acentuou a regionalização ou a fragmentação da economia mundial, pois, desde o final da década de 1980 e início da de 1990, fortaleceu-se a tendência de formação de tratados econômicos regionais entre países, ou seja, a constituição de blocos econômicos. Diante dos quadros competitivos que a globalização impõe, sobretudo a partir desse período, diversos países passaram a se reunir ou agrupar em torno de interesses econômicos comuns, com o objetivo de facilitar e expandir suas trocas comerciais para se fortalecer nesse contexto. Isso significa dizer que, embora a formação de tratados econômicos regionais entre países já se manifestasse antes do final da década de 1980 e início dos anos 1990, a partir desse período verificou-se o fortalecimento desse processo.
            As características das associações econômicas existentes no mundo permitem agrupar quatro tipos de blocos econômicos (referem-se apenas à economia, ao comércio e ao deslocamento de pessoas; quanto ao aspecto militar, cultural, educacional etc., existem outros tipos de acordos realizados entre países ou Estados):
- União aduaneira ou alfandegária: é um acordo de eliminação das barreiras alfandegárias entre países ou Estados e fixação de tarifa comum externa aos países não-membros que negociam com o bloco. A união alfandegária pode formar-se em torno de um grupo de produtos – como carvão, ferro e aço (caso da Ceca) – ou de todos os produtos;
- Zona de livre-comércio: é um acordo de eliminação ou redução de taxas alfandegárias sobre a importação e a exportação de produtos entre os países-membros. No comércio com países não-membros, cada país do bloco possui autonomia para fixar suas tarifas alfandegárias;
- Mercado comum: diz respeito a uma associação comercial de dois ou mais países ou Estados, baseada na eliminação de todas as tarifas alfandegárias, cotas de importação e outros obstáculos, além da livre circulação de pessoas, capitais e serviços entre os países-membros;
- União econômica e monetária: possui as mesmas características do mercado comum, além da adoção de uma moeda comum nos países-membros.
            Exemplos de blocos econômicos:
- A União Européia (UE) é uma organização supranacional dedicada a incrementar a interação econômica e reforçar a cooperação entre seus Estados-membros. Entre outras características que a distinguem dos demais blocos da atualidade, está o fato de outorgar (conceder) a cidadania européia a cidadãos de todos os Estados-membros, permitindo aos europeus maior liberdade para viver, trabalhar ou estudar em qualquer um dos países-membros;
- A Apec (Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico) foi criada no ano de 1989, na Austrália, como um fórum de conversação entre os países-membros da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e seis parceiros econômicos da região do Pacífico, como Estados Unidos e Japão. Porém, apenas no ano de 1994 adquiriu características de um bloco econômico na Conferência de Seattle, quando os membros se comprometeram a transformar o Pacífico em uma área de livre-comércio;
- O Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta) integra as economias dos Estados Unidos, do Canadá e do México. Iniciado em 1988 por norte-americanos e canadenses, o bloco recebeu a adesão dos mexicanos em 1993. Com ele, consolidou-se um intenso comércio regional na América do Norte para enfrentar a concorrência representada pela União Européia e;
- O Mercosul (Mercado Comum do Sul) é um bloco criado em 1991 pela Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, com o objetivo de reduzir ou eliminar impostos, proibições e restrições entre seus produtos. Em 2004, os países chamados andinos, como Chile, Bolívia, Equador, Colômbia e Peru, associaram-se ao Mercosul. No ano de 2005, aVenezuela buscou sua adesão ao acordo, mas teve de cumprir algumas exigências, como adotar a TEC – Tarifa Externa Comum.
            O processo de globalização gera, contraditoriamente, fragmentações, e tem colaborado com a manutenção de regiões consideradas periféricas na mesma situação, “excluídas” dos principais acordos e vantagens decorrentes da nova organização econômica e política mundial. Observe o mapa da pág. 28: ele retrata a situação dos países do mundo em relação ao número de internautas por cem habitantes. Comparando-o com outros mapas apresentados ao longo deste bimestre, uma característica comum entre eles é a diferença de desenvolvimento e de desigualdades entre grupos de países do mundo, indicando o maior acesso à internet das populações dos países do Norte – os mais desenvolvidos. Comparando com os países do Sul – os em desenvolvimento – constatamos a heterogeneidade deles. A África permite concluir que a globalização ocorre de forma assimétrica – diferente – e, muitas vezes, aumenta a “distância tecnológica” que impera no atual período entre as grandes regiões do globo.
            Alguns processos de reconfiguração espaço-territorial, verificados nas últimas décadas, foram motivados por conflitos geopolíticos ou por conflitos étnico-culturais que se manifestam regionalmente. Trata-se de um tema importante, pois impede que o foco sobre a globalização seja colocado de forma exclusiva em suas dimensões econômicas e financeiras, em detrimento de seus aspectos sociais, espaciais e culturais. A globalização é um fenômeno complexo e multidimensional e não somente de processos econômicos de abertura de mercados ou expansão dos fluxos financeiros internacionais.

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