quarta-feira, 13 de maio de 2015

El Niño e La Niña

El Niño e La Niña

Em anos normais, sem a presença do El Niño ou La Niña, as águas do Oceano Pacífico Equatorial Oeste são mais quentes do que junto à costa oeste da América do Sul, onde as águas do Pacífico são um pouco mais frias.

A circulação do ar que sobe no Pacífico Equatorial Central e que vai para o leste em altos níveis da atmosfera e desce no Pacífico Leste, em conjunto com os ventos alísios em baixos níveis da atmosfera, formam o que os meteorologistas chamam de Célula de circulação de Walker.

Este é o padrão de circulação em todo o Pacífico Equatorial em anos normais.

Como as águas do oceano no Pacífico Oeste são mais quentes, há mais evaporação e formam-se nuvens numa grande área. Em regiões em que o ar vem de altos níveis da troposfera para níveis mais baixos, raramente há formação de nuvens de chuva.
Se o ar sobe numa determinada região da atmosfera, deverá descer em outra. Se próximo à superfície (baixos níveis da atmosfera) os ventos são de oeste para leste, em altos níveis ocorre o contrário, os ventos são de leste para oeste. Assim, o ar sobe no Pacífico Equatorial Central e Oeste e desce no Pacífico Leste (junto à costa oeste da América do Sul).

Termoclina
Termoclina é a região onde há uma rápida mudança na temperatura do oceano que separa as águas mais quentes próximas a superfície das águas mais frias e mais profundas. Os ventos alísios “empurram” as águas mais quentes para oeste, fazendo com que a termoclina fique mais rasa do lado leste, expondo assim as águas mais frias.

Ressurgência
Os ventos alísios, junto à costa da América do Sul, favorecem o afloramento de águas profundas do oceano em um fenômeno chamado ressurgência.
As águas mais frias têm mais oxigênio dissolvido e vêm carregadas de nutrientes e microorganismos vindos de profundidades maiores. Isso faz com que a costa oeste da América do Sul seja uma das regiões mais piscosas do mundo, pois surge também uma cadeia alimentar: pássaros se alimentam de peixes, que por sua vez se alimentam de microorganismos e nutrientes daquela região.

EL NIÑO
Em anos de El Niño, os ventos alísios enfraquecem. Com isto, todo o oceano Pacífico Equatorial começa a aquecer gerando evaporação e formando nuvens, com movimento ascendente.
Há um deslocamento da região com maior formação de nuvens e a célula de Walker fica bipartida. Pode-se observar águas quentes em praticamente toda a extensão do Oceano Pacífico Equatorial. E a termoclina fica mais profunda junto à costa oeste da América do Sul devido ao enfraquecimento dos ventos alísios.



A célula de Walker e a seca do Nordeste
Em anos de El Niño há uma mudança de posição do ramo ascendente da célula de Walker no Pacífico Equatorial que se desloca para o Pacífico Equatorial Leste. Formam-se então dois ramos descendentes: um na região que compreende o Nordeste Brasileiro e parte da Amazônia e outro na região da Indonésia.
O ar que desce dos altos níveis da troposfera inibe a formação de nuvens, esta é uma das explicações para as secas que ocorrem na região da Indonésia e no norte e leste da Amazônia e norte do Nordeste em anos de El Niño. Não é somente o El Niño que pode provocar seca no norte da Região Nordeste do Brasil, o Oceano Atlântico tem papel fundamental no regime de chuvas da região. Porém, em anos de El Niño, em geral, é observada seca nesta região.

Um episódio de El Niño
Entre 1997 e 1998, o episódio El Niño ocasionou intensa seca na região da Indonésia. Os índices de poluição na região eram altos, provocados pelas queimadas e pela poluição das grandes cidades, causando até acidentes por falta de visibilidade.
No Brasil, houve enchentes nos estados da Região Sul. No ano seguinte, ocorreu grande seca em Roraima provocando uma das piores queimadas da região. Foi observada uma intensa seca no norte da Região Nordeste que espalhou fome e miséria.

LA NIÑA
O La Niña, que significa “a menina”, em espanhol, é um fenômeno que se caracteriza por ser oposto ao El Niño, ou seja, é o resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, pode ser chamado também de episódio frio, ou ainda, El Viejo “o velho”, em espanhol.
Com a evaporação e os movimentos ascendentes que geram nuvens de chuva, a célula de Walker, em anos de La Niña, fica mais alongada que o normal, devido a maior intensidade dos ventos alísios, e as águas mais quentes ficam represadas mais a oeste que o normal. A região do nordeste do Oceano Índico, a oeste do Oceano Pacífico, passando pela Indonésia, tem grande quantidade de chuvas. No Pacífico Equatorial Central e Oriental ocorrem os movimentos descendentes da célula de Walker. Eles ficam mais intensos que o normal, inibindo, e muito, a formação de nuvens de chuva.



Com os ventos alísios mais intensos, a ressurgência também irá aumentar no Pacífico Equatorial Oriental, emergindo mais nutrientes das profundezas do Oceano.

Periodicidade do La Niña
Em geral, os episódios La Niñas têm freqüência de 2 a 7 anos, porém tem ocorrido em menor quantidade que o El Niño durante as últimas décadas. Os episódios La Niña têm duração de aproximadamente 9 a 12 meses, e somente alguns episódios persistem por mais de 2 anos.
Os valores das anomalias de temperatura da superfície do mar (TSM) em anos de La Niña têm desvios menores que em anos de El Niño, ou seja, enquanto observam-se anomalias de até 4,5ºC acima da média em alguns anos de El Niño, em anos de La Niña, as maiores anomalias observadas não chegam a 4ºC abaixo da média.

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